27 de Fevereiro de 2007: 1 mês em Macau - 2007年2月27日: 在澳门一个月

Exactamente.
Faz hoje 1 mês que cá estou. E sinto, por isso, que devo "comemorar" (mas de facto, comemorar para quê? Enfim...)... bem, pelo menos, não quero deixar de dizer alguma coisa neste dia.

Não encontrei a Macau que conheci em 2001 e isso deixou-me decepcionado inicialmente.
O contexto da minha vinda fora diferente, a altura do ano também e por isso, nada correspondia (ou pouco) àquela Macau que tanto me cativou alguns anos atrás.
Hoje as coisas estão a mudar.
Tal como o vento muda de direcção, os meus sentimentos alteraram-se e começei a aprecia-la de novo.
Mesmo sem o calor e a humidade que nos deixa literalmente ensopados mal saimos do apartamento; mesmo sem os cheiros na rua, a comida, chá, fruta, etc. que nos embriaga, nos chama a atenção, nos abre o apetite e a curiosidade; mesmo sem os insectos que nos incomodam.
Comecei a apreciar a Macau de Janeiro e Fevereiro. Aprecio a agradável brisa do mar que bate à minha janela e me traz o cheiro do mar; o sol a bater-me nas costas (e que me aquece) quando estou sentado, mesmo alí em baixo, no muro junto à Estrada Nordeste da Taipa, de costas para a ilha, contemplando a cidade; gosto de ouvir o canto dos pássaros; e gosto até do vento que despenteia constantemente...

Apesar da instalação dos novos casinos, hoteis e parques temáticos, Macau, na sua essencia não mudou.
Ao percorremos as ruas desta cidade cosmopolita (as ruas, ruelas e travessas geralmente pouco frequentadas pelos turistas), percebemos que há muita coisa que permanece "intacto". O que muda sim, é a "periferia" da cidade.
Ao deambularmos pelos bairros mais antigos, pelas "aldeias" do território, pelo bazar chinês, até mesmo pelo centro de Macau, encontramos ainda muito de uma Macau de outros tempos. E isso é um facto. Uma parte do território conserva ainda as características de uma pacata cidade europeia, paredes meias com uma cidade chinesa.
E Macau, é de facto, uma cidade velha! É-o em muitos aspectos. É isso que me atrai.
Macau é simultaneamente urbana e provincial, pequena e grande, densa em população e deserta, moderna e antiga, dinâmica e estática, frenética e tranquila.
É isso que a torna especial, atraente, tão forte em sentimentos e rica em contrastes.

O Território de Macau permite-me sair do presente e entrar no passado, para voltar ao presente...! Adoro isso.
Definitivamente, gosto de Macau. Da Macau "cidade nova" e da Macau "velha urbe".
Esta, é a Macau de hoje.

2 comments:

elisabetta said...

Comemorar o que?!? Não sabes a minha dor de cotovelo...
Desejo-te muita sorte e como diria o meu pai, homem de mar, "vai avanti sempre con il vento in poppa" e continua a escrever. Se precisar de algo ainda tens o meu e-mail.
Em 2005 escriví algo sobre "prostituição" ...

Isabel said...

Que bom, o Dave ter reencontrado Macau. Bem - vindo seja!

Recordo-me sempre de quando cheguei a Macau, em 1991, me terem falado da paixão ao estilo ocidental e da paixão ao estilo chinês. A primeira, seria como água a ferver que com o tempo vai arrefecendo. A segunda, começava por se assemelhar a água fria que progressivamente vai aquecendo e aquecendo.

Foi ao estilo chinês que me apaixonei por Macau, num crescendo que foi ficando.

De todas as vezes que voltei a Macau depois de 1999, encontrei sempre diferenças, mudanças. Mas, era apenas uma questão de tempo e Macau voltava a revelar-se naquilo que me encantou e encanta.

Como em tudo, há espaços com os quais nos identificamos mais e aos quais entregamos a nossa vida, parte dela, ou mesmo os sonhos...