27 de Janeiro de 2007: chegada a Macau - 2007年1月27日:到达澳门


16h30.
Chegada à Macau.
Após a longa fila nos serviços de emigração e a confusão para levantar as malas, consegui finalmente estar despachado.
No terminal do ferry estavam já à minha espera a minha amiga Jiayun e o seu irmão.

Levaram-me para a residência universitária East Asia Hall (東亞樓), sito na Av. Pe. Tomás Pereira S. J., na Taipa, onde ficarei a residir durante cerca de 1 ano.
Jiayun conduz um BMW automático, e, à semelhança de todos os outros carros de aqui, está atulhado de bonecos e adereços da Hello Kitty e uma série de pequenas luzes que se acedam, apagam ou mudam de cor consoante as variações do motor do carro.
Jiayun vive e trabalha em Macau. No entanto ela e o seu irmão são de Shanghai. O irmão, ainda estudante universitário, veio passar uma semana com a irmã. Amanhã à tarde regressa para Shanghai.

1ª surpresa: Faz frio em Macau.
Quando cá estive em 2001 foi durante os meses de Agosto e Setembro pelo que o clima era bastante húmido e quente. Nada a ver, portanto, com este clima mais fresco.

2ª surpresa: De caminho para a residência deparei-me com as novas atracções de Macau: o parque temático "Doca dos pescadores de Macau" com o seu vulcão artificial, os novos hoteis e os novos casinos.

3ª surpresa: Na recepção da residência ninguém fora avisado da minha chegada. Após alguns telefonemas a responsável continuava sem saber quem eu era, o que ali fazia e porquê.
Tentei ligar para a Prof.ª A.E., pessoa que tratou da minha estadia, mas sem sucesso - o n.º parece estar incorrecto.
Pedi para ligar para o Vice-reitor, pessoa que conheço e que poderia esclarecer a situação.
Nada feito. Não querem ligar para alguém de tão elevado cargo para tratar de um caso desta natureza.
No entanto, a responsável garante-me que me atribue um quarto até a situação se resolver.
Rapidamente arranjam-me um quarto provisório n.º 1034. Jiayun e o seu irmão sobem comigo ajudando-me com as malas.
Após ocupar o quarto, resolvam deixar-me descansar, convidando-me no entanto para jantar com eles mais tarde.

Atirar-me para a cama foi uma péssima ideia, pois o colchão é duro que nem uma pedra.
Acabei por magoei as nádegas, mas enfim, estando cansado como estou, aguento o desconforto.

Passado poucos minutos, batem à porta. É de novo a responsável que me pede muitas desculpas, mas tenho que mudar-me pois houve um equívoco com a atribuição do quarto.
Ok, lá fui eu com as minhas coisas para o quarto n.º 1037.

Escusado será dizer que não tive tempo para descansar. Em Macau, como na China, janta-se mais cedo do que na Europa e assim que desfiz uma das minhas malas, a mais pequena, à que eu trouxe unicamente devido aos presentes que levava, Jiayun e o irmão estavam a bater à porta do quarto. Do quarto n.º 1034 obviamente, mas por sorte encontrava-me mesmo ao lado pelo que a ouvi chamar por mim.

4ª surpresa: Trouxeram com eles um edredon, lençois, travesseiros, fronhas, toalhas de banho, toalhas de mão, champô, amaciador, gel duche, pasta dentífrica, sabonetes, lenços, guardanapos, papel higiénico (perfumado!), dois pentes, um guarda chuva, comida, uma chaleira eléctrica e uma televisão!
Fiquei tão surpreendido e embarraçado que nem consegui agradecer-lhes.

Fomos jantar a Coloane, no hotel "The Westin Resort", um hotel de 5 estrelas que aos sábados à noite organiza um requintado buffet.
Enquanto desfrutávamos o nosso faustoso jantar, uma pequena filipina cantava em inglês para um público esfomeado. O reportório era bastante reduzido, pelo que era frequente ouvirmos 2 ou 3 vezes a mesma canção.

Os dois irmãos fartavam-se de comer. Serviram-se umas 4 vezes, diversificando sempre, indo do sushi ao Dim Sun (點心), passando pelos grelhados, pelo marisco cozido ou preparado com arroz, aos vegetais, à massa de arroz e aos crepes, terminando pela sobremesa: gelado Haagen Dazs, creme de manga, doces e fruta variada. Esta foi a escolha que fizeram entre a diversidade de comida que o buffet apresentava. Curiosamente não tocaram nos bolos. "Quero emagrecer!" diz-me Jiayun.
Diz-me o irmão que os chineses gostam de jogar e de comer. E eu, olhando para a Jiayun que naquele momento estava a chupar desalmada e ruidosamente a pata de uma sapateira, respondi-lhe "sim, eu sei...".

5ª surpresa: Macau produz a sua própria cerveja, a "Macau Beer" (Foto: lata de Macau Beer). É uma cerveja agradável ao paladar, com 5% de alcóol. Tem um sabor menos acentuado do que a sua irmã a Tsingtao.

21h.
Terminado o jantar voltamos para Macau. O meu objectivo era ver algumas lojas de telemóveis para ter uma noção dos preços, pois era importante para mim ser contactável em Macau.
Após um telefonema da Jiayun para uma das lojas de telecomunicações de Macau, afim de saber se estariam abertos, fomos de imediato para lá.
Escolhi o mais simples e pedi um cartão com 180 MOP em chamadas (cerca de 18 Euros) e...

6ª surpresa: Jiayun impede-me de pagar, precipitando-se para o fazer. Diz-me que me oferece o telemóvel e que eu não tenho que me sentir mal por isso.
É fácil falar... porque naquele momento eu estava muito incomodado sem saber bem o que dizer ou o que fazer.
Um tanto ou quanto abalado, fartei-me de agradecer-lhe...
E eu que também queria ir ao supermercado para me abastecer para o pequeno almoço, não tive coragem de o dizer... Resolvi calar-me.
Porém, de novo no carro, Jiayun faz-me precisamente a pergunta que eu não queria ouvir naquele momento.
Um frio percorreu-me a espinha, fiquei pálido. Tive a sensação de que os prédios à nossa volta implodiam um a um. O meu coração batia tão depressa que tropeçava no seu próprio rítmo. O oxigénio começou a escassear... se eu usasse uma gravata, aquele era o momento certo para desatar o nó. Paniquei e com uma gota de suor a escorrer-me pelo rosto, menti.
Menti descaradamente, mas tão descaradamente que acabei por mentir mal. O irmão percebeu e lá fomos nós... para o supermercado.

7ª surpresa: Não há surpresa nenhuma. Adivinhem quem pagou a conta...

Este primeiro dia foi bastante positivo.
Apesar do embaraço fiquei profundamente grato e sensibilizado pela ajuda da Jiayun. Para além de bonita é uma rapariga generosa e simpática.
Por mais que eu soubesse e experimentasse da hospitalidade dos chineses, nomeadamente em Lisboa, o sentimento nunca deixa de ser especial sempre que a sentimos na pele.
O irmão estava entusiasmadíssimo comigo. Fui o 1º europeu que conheceu e com quem teve contacto. Ele tem 22 anos.

1 comment:

Miguel said...

A residência está na Av. Tomás Pereira... Há uma certa... ironia... presente... :D